Rádio CN Agitos

domingo, 23 de agosto de 2015

Cientistas descobrem aranha capaz de 'voar'.

Pesquisadores identificaram uma espécie de aranha capaz de "voar". Segundo estudo publicado no periódico científico The Royal Society Interface, as aranhas Selenop banksi podem planar e orientar sua trajetória.

Foi um achado inesperado, segundo os autores do estudo, porque não havia até então registros desse comportamento em aranhas.

"Não existem aranhas com asas. Aranhas não podem voar", escreve o cientista-chefe da pesquisa, Steve Yanoviak, da Universidade de Louisville, nos Estados Unidos.

"Estas aranhas representam uma impressionante aventura evolucionária na conquista do ar pelos animais."

Habilidade

Os cientistas acreditam que a espécie Selenop banksi adquiriu essa habilidade por habitar os troncos de árvores de florestas tropicais da América do Sul, locais mais seguros do que o solo da floresta, onde animais buscam se alimentar.

Dessa forma, ao cair de uma árvore, essas aranhas conseguem planar e controlar sua trajetória para chegar a outro tronco em vez de cair no chão.

Yanoviak e sua equipe se dedicaram, na última década, à busca de insetos e artrópodes capazes de planar. Para isso, coletavam espécimes e os jogavam de uma grande altura.

Por meio deste método, Yanoviak já havia identificado espécies de formigas que planam e controlam sua trajetória rumo ao solo.

No entanto, nenhuma espécie de aranha havia demonstrado a mesma capacidade, até que os pesquisadores testaram as Selenop banksi.

Postura corporal

Essas aranhas têm um corpo achatado, com uma espessura equivalente à de uma moeda. Não é fácil encontrá-las, pois se camuflam quase perfeitamente nos troncos onde vivem.

Os 59 espécimes testados foram coletados nas florestas do Peru e do Panamá. Do total, 93% foram capazes de planar e controlar seu voo e 86% aparentemente estabeleceram uma trajetória direta até o local onde pousaram.

Para isso, logo após serem jogadas de uma altura entre 20 e 25 metros, estas aranhas assumiram uma postura corporal característica, virando seu corpo para cima com grande agilidade e planando na direção apontada por suas cabeças.

Para controlar sua trajetória, essas aranhas usaram suas pernas dianteiras. Caso quisessem ir para a direita, mudavam o ângulo de sua perna dianteira esquerda, por exemplo.

Aranhas controlam sua trajetória de voo com ajuda das pernas dianteiras

Novas perguntas

Segundo Yanoviak, a descoberta desperta outras perguntas sobre as aranhas.

"Por exemplo, quão precisa é a visão delas? Como elas miram em uma árvore? Qual é o papel de seus pelos e coluna na performance aerodinâmica?".

No entanto, antes mesmo que essas questões sejam respondidas, o cientista acredita que a habilidade dessas aranhas será de incrível valia para a ciência.

"A forma como elas mudam a posição do seu corpo em pleno ar e controlam sua trajetória apontam para novos mecanismos de movimentos corporais que podem ser relevantes para a robótica."

sábado, 15 de agosto de 2015

Para perder peso, é melhor cortar gordura do que carboidrato, diz pesquisa.

 

Estudo foi conduzido com obesos nos Estados Unidos; conclusão contradiz teoria popular entre adeptos de dietas
Para perder peso, é melhor cortar gorduras do que carboidratos de sua dieta. Pelo menos é o que afirma uma pesquisa recém-publicada.

O estudo acompanhou um grupo de pessoas com dietas controladas ao monitorar refeições, atividade física e respiração de cada uma delas.

Ambas as dietas, analisadas pelo National Institutes of Health, no Estado americano de Maryland, nos Estados Unidos, levaram à perda de peso quando as calorias foram reduzidas, mas as pessoas emagreceram mais quando diminuíram a ingestão de gordura.

Os especialistas constataram, assim, que uma dieta pobre em gordura é a melhor alternativa para quem quer se livrar dos 'quilinhos extras'.

A conclusão contradiz o argumento de que a restrição de carboidratos seria a melhor maneira de emagrecer, já que alteraria o metabolismo do corpo.

'Processo químico'
"Quando você corta a ingestão de carboidrato, você realmente perde gordura, mas não tanto quando você para de comer gordura", diz o responsável pela pesquisa, Kevin Hall, do National Institute of Diabetes and Digestive and Kidney Diseases, nos Estados Unidos.

No estudo, 19 pessoas obesas seguiram uma dieta de 2,7 mil calorias por dia.

Em seguida, durante um período de duas semanas eles tentaram dietas que cortaram a ingestão calórica em um terço, ora reduzindo carboidratos ora gordura.

A equipe analisou a quantidade de oxigênio e dióxido de carbono sendo expelido pelos participantes bem como a quantidade de nitrogênio na urina deles. O objetivo era calcular precisamente os processos químicos dentro do corpo.

Os resultados publicados na revista científica Cell Metabolism mostraram que seis dias depois do início da dieta, aqueles que reduziram a ingestão de gordura perderam em média 463 gramas de gordura ? 80% a mais do que aqueles que só cortaram carboidratos, cuja perda média foi de 245 gramas.

Hall disse que não havia motivo "metabólico" para optar por uma dieta com baixo nível de carboidratos.

'Dietas à risca'
Estudo acompanhou 19 pessoas obesas

No entanto, estudos sugerem que no mundo real, onde as dietas são menos rigidamente controladas, as pessoas podem vir a perder mais peso ao reduzir carboidratos.

"Se for mais fácil seguir uma dieta do que a outra, e idealmente de forma permanente, então é melhor que você escolha a dieta com a qual melhor se adapte", afirmou Hall.

"Mas se a dieta com baixa ingestão de gordura for melhor para você, isso não será uma desvantagem metabólica", acrescentou.

Susan Roberts e Sai Das, médicas da Universidade de Tufts, em Boston, no Estado americano de Massachusets, afirmaram que o debate sobre as dietas era fonte de "intensa controvérsia".

Elas afirmaram que o estudo "desmascarou" a teoria de que dietas com baixo nível de carboidrato são melhores, mas o impacto disso a longo prazo ainda "não era sabido".

"A mensagem mais importante agora é provavelmente de que alguns carboidratos são bons, especialmente os de baixo índice glicêmico e integrais".

Segundo Susan Jebb, professora de Saúde Nutricional da Universidade de Oxford, "os pesquisadores concluíram acertadamente que a melhor dieta para a perda de peso é a dieta com a qual o paciente melhor se adapta".

"Todas as dietas funcionam se você consegue se ater a uma dieta que corte calorias, independentemente de gordura ou carboidrato", afirmou ela.

"Seguir à risca uma dieta não é tarefa fácil, especialmente dado o tempo que demora para perder peso", acrescentou

 Editor de Saúde da BBC News

domingo, 2 de agosto de 2015

Azeite, milho ou canola? Pesquisa identifica óleos mais saudáveis para cozinhar.

1.ago.2015 - Qual é o melhor óleo para cozinhar? Pesquisadores de uma universidade britânica analisaram cinco tipos para determinar qual seria o mais saudável
Quando o assunto é gorduras e óleos, temos dezenas de opções disponíveis e é complicado saber qual delas será a "mais saudável". As prateleiras dos supermercados têm de tudo. E, nos dias de hoje, apesar de termos mais informações, elas muitas vezes se confundem, porque há muito debate sobre os benefícios e os danos que podem vir do consumo de diferentes tipos de gordura.

Na série da BBC Trust Me, I'm a Doctor perguntamos: "Quais tipos de gordura e óleo são os melhores para cozinhar?"

Você pode pensar que é óbvio que frituras feitas com óleo vegetal são mais saudáveis do que se fosse feitas com óleo animal, como banha ou manteiga.

Mas será?

Para descobrir isso, demos a alguns moradores de Leicester, na Inglaterra, uma variedade de gorduras e óleos e pedimos aos voluntários para usarem todos eles. Também pedimos aos voluntários que guardassem o que sobrasse do óleo para podermos analisar.

As gorduras e óleos usados foram: óleo de girassol, óleo vegetal, óleo de milho, óleo de canola, azeite, manteiga e banha animal.

Depois de usadas para cozinhar, foram coletadas amostras dos óleos e das gorduras e enviadas para a Leicester School of Pharmacy na Universidade de Leicester, onde o professor Martin Grootveld e sua equipe fizeram um experimento paralelo onde eles aqueceram de novo os mesmos óleos a temperaturas altas para fazer frituras.

Quando você está fritando ou cozinhando em uma alta temperatura (próximo de 180°C), as estruturas moleculares de gorduras e óleos mudam. Acontece o que chamamos de oxidação - elas reagem com o oxigênio do ar formando aldeídos e peróxidos de lipídio. Na temperatura ambiente, algo semelhante acontece, mas de maneira muito mais lenta. Quando lipídios se decompõem, eles se tornam oxidados.

O consumo de aldeídos, mesmo que em pequenas quantidades, tem sido relacionado a um risco de doenças do coração e câncer. Então o que Grootveld e sua equipe descobriram?

"Descobrimos que os óleos que eram ricos em poliinssaturados - o de milho e o de girassol - geravam altos níveis de aldeídos."

O resultado foi surpreendente, já que muita gente pensava que o óleo de girassol era o mais "saudável".

Manteiga e banha animal são melhores que óleos de girassol ou de milho para frituras

"Óleo de girassol e de milho são bons", diz o professor Grootveld, "desde que você não submeta eles ao calor, como ao fritar alimentos ou ao cozinhar algo. É um fator químico simples faz com que algo que é visto como saudável para nós se converta em algo que faz mal quando é submetido a temperaturas mais altas."

O azeite e o óleo de canola produziram muito menos aldeídos, assim como a manteiga e a banha animal. O motivo é que esses óleos são ricos em ácidos graxos monoinsaturados e saturados, que são muito mais estáveis quando submetidos ao calor. Na verdade, gorduras saturadas raramente passam pelo processo de oxidação.