segunda-feira, 11 de janeiro de 2016

David Bowie foi o gênio mais eclético da música pop.

 Depois de lutar secretamente contra o câncer de fígado por 18 meses, David Bowie morreu aos 69 anos, deixando um legado de mais de 50 anos de carreira. Ícone da cultura pop, o cantor marcou o rock britânico e o cenário da música mundial, tornando-se um dos artistas mais influentes do século 20.

Longe dos holofotes nos últimos anos, Bowie tinha sua vida pessoal muito preservada, tanto que não havia divulgado qualquer indício de que estaria gravemente doente até a notícia de sua morte. Com uma alta taxa de mortalidade, o câncer de fígado é mais letal que outros tumores, pois geralmente o diagnóstico ocorre muito tarde.
Cena do clipe de "Blackstar", música do último CD de Bowie.
Cena do clipe de "Blackstar", música do último CD de Bowie.
Foto: Reprodução/Youtube / Vivo Mais Saudável

Saiba mais sobre o câncer de fígado

Com mais de 600 mil novos casos diagnosticados no mundo a cada ano, a doença é o sexto tipo de câncer mais frequente. Estima-se que ele cause morte com mais frequência, em comparação a outros tumores, pois os pacientes são normalmente diagnosticados muito tarde.
Segundo o Instituto Nacional do Câncer (INCA), cerca de 50% dos pacientes com câncer de fígado apresentam cirrose hepática, que pode estar associada ao alcoolismo ou à hepatite crônica. O desenvolvimento da doença pode levar muito tempo, como 20 ou 30 anos após a ocorrência da hepatite C crônica, por exemplo.
Outros fatores de risco também aumentam a probabilidade de desenvolvimento tumoral, como o consumo excessivo de álcool e a obesidade mórbida. Geralmente, os sintomas só surgem nos estágios avançados da doença, e incluem perda de apetite e náusea, além de pressão e dor na parte superior do abdômen.
O diagnóstico precoce do câncer de fígado é fundamental para a eficácia do tratamento, pois nos estágios iniciais o tumor ainda pode ser retirado cirurgicamente, procedimento mais indicado para o combate à doença.
Em alguns casos, podem ser administradas também a radioterapia e a quimioterapia, além da quimioembolização, tratamento que combina drogas e partículas de gel insolúvel.

A carreira de David Bowie

A manhã do dia 11 de janeiro de 2015 começou mais triste para os fãs de David Bowie, com a notícia da morte do cantor conhecido como o criador do glam rock . Após enfrentar o câncer de fígado por um ano e meio, o também compositor e ator recebeu milhares de homenagens de celebridades, amigos e admiradores nas redes sociais.
Capa do álbum Aladdin Sane, lançado em 1973.
Capa do álbum Aladdin Sane, lançado em 1973.
Foto: Divulgação / Vivo Mais Saudável
Considerado uma das figuras mais influentes do rock mundial, o cantor havia lançado seu mais novo álbum, Blackstar , na última sexta-feira (8), mesmo dia em que completou 69 anos de idade.
Com poucas aparições públicas nos últimos meses, ele se apresentou ao vivo pela última vez durante um show beneficente em 2006, em Nova York.
David Bowie nasceu em Londres, em 8 de janeiro de 1947, recebendo o nome David Robert Jones .
Com o apelido de Cameleão do Rock , devido a sua capacidade de sempre inovar e se adaptar ao cenário atual, tanto na música quanto na aparência, o astro lançou seu primeiro single em 1964, gravando o álbum de estreia em 1967.
Bowie alcançou a fama com o álbum The Rise and Fall of Ziggy Stardust and the Spiders From Mars , de 1972. Depois disso, alavancou uma carreira com 25 álbuns de estúdio e nove álbuns ao vivo, além de diversos EPs e mais de 100 singles.

terça-feira, 8 de dezembro de 2015

Pesquisas de tratamento para zika podem levar até 2 anos.

  Rafael Neddermeyer/Fotos Públicas
Pesquisador do Laboratório de Virologia da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), em Pernambuco, Rafael França estima que serão necessários pelo menos dois anos para que perspectivas de tratamento de infecções pelo zika comecem a ser delineadas. "Há ainda muitas questões a serem respondidas. A primeira tarefa é identificar o genoma do vírus", afirmou.
Diante do aumento de casos de infecções e da rápida dispersão do zika, uma rede de pesquisadores redobrou os esforços para tentar definir o mais rapidamente possível a sequência genética do que, até seis meses atrás, era considerado o "primo fraco da dengue". A rede de vigilância genética busca, por exemplo, analisar se houve uma mutação do vírus, descrito pela primeira vez em 1947, mas que somente nos últimos anos começou a despertar a atenção de autoridades sanitárias.
A experiência brasileira demonstra que a infecção pelo zika em gestantes tem correlação com a microcefalia. Os casos no país também ajudam a comprovar a suspeita de que o vírus pode atingir o sistema neurológico, aumentando o risco de doenças autoimunes como a síndrome de Guillain-Barré.
França afirma que a mutação pode não ser a resposta para o impacto que a infecção pelo zika vem provocando na população brasileira. "Há outros fatores que devem ser observados. Uma das suspeitas que precisam ser investigadas é se o vírus teria um impacto diferente entre pessoas que já têm anticorpos para dengue, um agente da mesma família que o da zika", afirmou.

Organismo

Além da vigilância genética, pesquisadores têm como tarefa desvendar a forma de atuação do vírus no organismo. "Sabemos pouco sobre isso", reconheceu França. As dúvidas não são apenas entre pesquisadores brasileiros. Há uma grande lacuna de conhecimento sobre zika em todo o mundo. "Por se tratar de um vírus novo e que até agora era tido como de pouco potencial de dispersão e de agressão no organismo, ele despertava pouca atenção."
França avalia que uma das estratégias mais promissoras para deter o avanço da doença consiste em desenvolver terapias que tenham como princípio anticorpos contra o vírus. Para isso, é preciso conhecer a estrutura do zika e desvendar os mecanismos que ele usa para invadir as células do corpo humano. "Uma vez descoberto o caminho usado por ele para ingressar na célula, a ideia é tentar colocar um obstáculo, algo que o impeça a invasão", afirmou. (As informações são do jornal O Estado de S. Paulo)

domingo, 22 de novembro de 2015

Mapa quantifica pela primeira vez água escondida debaixo da terra no mundo.

BBC






Mapa quantifica pela primeira vez água escondida debaixo da terra no mundo
O volume total de água armazenada no subsolo do planeta é estimado em 23 milhões de km³. Seria o suficiente para cobrir toda a superfície da Terra com uma camada de 180 metros de profundidade.

Essa foi a conclusão de um estudo conduzido por pesquisadores canadenses e publicado na revista científica Nature Geoscience.

Mas apenas 6% dessa água é própria para consumo humano. Isso porque a chamada água "moderna" presente no subsolo está próxima da superfície e pode ser extraída ou usada para complementar recursos localizados acima do solo, em rios e lagos.

"Esta é a água que é renovada mais rapidamente na escala de vida humana", explicou Tom Gleeson, da Universidade de Victoria, no Canadá, responsável pelo estudo.

"Ao mesmo tempo, é a mais sensível a mudanças climáticas e contaminação humana. Trata-se, portanto, de um recurso vital que precisa ser mais bem gerenciado."

Recurso finito

Para quantificar a água armazenada nos dois primeiros quilômetros da superfície da Terra, Gleeson e sua equipe combinaram extensas bases de dados e modelos computacionais.
Foram analisados, entre outros fatores, a permeabilidade de rochas e do solo, sua porosidade e características dos lençóis freáticos.

A chave para determinar a idade de toda a água armazenada foram medições feitas com trítio, uma forma radioativa de hidrogênio que surgiu na atmosfera há 50 anos como resultado de testes de bombas termonucleares.

A partir desse elemento químico, os cientistas puderam identificar toda a chuva que chegou ao subsolo desde então.

Reservas

O mapa acima mostra a distribuição da água moderna presente no subsolo ao redor do mundo. As manchas em azul escuro mostram onde ela é renovada rapidamente. Em tom mais claro, a água mais antiga, que em sua maioria está estagnada e não pode ser renovada.
"As características dessa água antiga variam muito", disse Gleeson à BBC News. "Em alguns lugares, é muito profunda. Em outros, não. Em muitos lugares, ela é de má qualidade e pode ser mais salina que a água do mar, além de ter metais e outros componentes químicos dissolvidos nela e que teriam de ser tratada antes de se tornar potável ou usada na agricultura."

Isso torna ainda mais importante as reservas modernas e a necessidade de administrá-las de forma sustentável, alertam os cientistas.

O estudo destaca ainda como elas estão distribuídas de forma desigual no planeta. O próximo passo, afirmou Gleeson, é determinar o ritmo com que algumas reservas estão sendo consumidas.

"Essa visão global da água no subsolo irá conscientizar de que nossas reservas mais recentes no subsolo, aquelas que são mais sensíveis a mudanças ambientais e provocadas pelo homem, são finitas", disse Ying Fan, da Rutgers University, nos Estados Unidos.

terça-feira, 10 de novembro de 2015

Encontrados fósseis de anfíbios e réptil de 278 milhões de anos no Nordeste.

 
Fósseis de três espécies de anfíbios e uma de réptil do período Permiano, final da era Paleozoica, foram descobertas por cientistas nos Estados do Piauí e do Maranhão, numa área da Bacia do Rio Parnaíba. O material fossilizado tem cerca de 278 milhões, correspondentes ao período Permiano. Os animais viviam em lagos tropicais no Nordeste brasileiro.
Esta é a primeira fauna desta idade encontrada no hemisfério Sul e que também tem registros na América do Norte e na Europa. O estudo intitulado "Nova fauna Permiana do Gondwana tropical" foi publicado na revista Nature Communications, no último dia 5, e faz parte de uma pesquisa nos Estados do Piauí, Maranhão e Tocantins.
As duas primeiras espécies fossilizadas encontradas foram de dois anfíbios carnívoros arcaicos nas cidades de Timon (MA) e Nazária (PI). Os animais receberam os nomes de Timonya anneae e Procuhy nazariensis em homenagem aos municípios que foram encontrados.
O paleontólogo Juan Carlos Cisneiros, professor doutor da Universidade Federal do Piauí (UFPI), que fez parte da equipe de pesquisadores, explica que as duas espécies eram parentes distantes dos anfíbios modernos, mas não eram verdadeiras salamandras nem sapos. Elas pertenciam a um grupo extinto que era comum no Permiano.
O Timonya anneae era um pequeno anfíbio inteiramente aquático que possuía presas e guelras (aparelho respiratório dos animais que vivem na água e não possuem pulmões). O aspecto dele lembra a mistura entre uma salamandra aquática e uma enguia.
Já o Procuhy nazariensis também vivia submerso na água em lagos tropicais. O animal recebeu o nome de "Procuhy", que significa sapo de fogo na língua timbira, nativa do Maranhão, Piauí e Tocantins, porque foi encontrado fossilizado em uma rocha usada para produzir fogo na formação geológica Pedra de Fogo.
"A terceira espécie é um anfíbio do tamanho de um pequeno jacaré, cujos parentes mais próximos viveram vinte milhões de anos depois no Paraná e na África do Sul, e uma espécie de réptil com aspecto de lagartixa que até agora só tinha sido encontrada na América do Norte", explica o professor.

Fauna da Pangeia

Cisneiros destaca que a descoberta dos fósseis deve ajudar a revelar como os animais se dispersaram nas regiões da Pangeia, antigo supercontinente que teria sido subdividido em por um longo braço de mar originando as duas massas continentais Gondwana e Laurásia.
Os pesquisadores explicam que o registro das espécies encontradas no Nordeste do Brasil preenche o panorama de como era a bacia do Rio Parnaíba há mais de 200 milhões de anos, traça como estes animais se dispersaram e como colonizaram novas regiões da Pangeia. A bacia do Rio Parnaíba é conhecida pelos paleontólogos como uma região rica em material fossilizado. É lá onde está o Parque Floresta Fóssil de Teresina, único sítio paleontológico dentro de uma cidade brasileira que possui troncos petrificados com datas de 270 milhões de anos.
"O primeiro réptil encontrado aqui na região dessa idade é uma espécie que já era conhecida na América do Norte, nos Estados do Texas e de Oklahoma nos Estados Unidos. Isso mostra que a fauna do Piauí tinha conexão com a fauna daquela região. Hoje em dia parece estranho, mas temos que lembrar que naquela época os continentes estavam unidos, formando o que a gente conhecia como a Pangeia. A América do Norte estava coladinha com a América do Sul e realmente não é tão difícil que os animais pudessem habitar uma área compartilhada entre os Estados Unidos e o Brasil. Agora, a gente pode comprovar que isso de fato aconteceu porque temos uma espécie de réptil em comum entre os Estados Unidos e o Brasil da era Paleozoica", explicou Cisneiros.
Os fósseis encontrados passaram por tratamento de conservação e limpeza nos Estados Unidos e outros foram tomografados na Europa. "A parceria com outras instituições e outros países foi importante, e acho que foi o fator chave para ter bons resultados, porque cada um tem conhecimentos diferente e complementa a equipe de pesquisa, isso também nos permitiu ter acesso a técnicas, a metodologia e a recursos de outras instituições."
A descoberta faz parte do projeto "Prospecção paleontológica na Bacia do Parnaíba: Revelando um novo ecossistema permiano nos trópicos do Gonduana", que estuda as formações Pedra de Fogo e Motuca, conhecidas pelo abundante registro paleobotânico, nos Estados do Piauí, Maranhão e Tocantins.