Depois de lutar secretamente contra o
câncer de fígado
por 18 meses, David Bowie morreu aos 69 anos, deixando um legado de
mais de 50 anos de carreira. Ícone da cultura pop, o cantor marcou o
rock britânico e o cenário da música mundial, tornando-se um dos
artistas mais influentes do século 20.
Longe dos holofotes nos últimos anos,
Bowie
tinha sua vida pessoal muito preservada, tanto que não havia divulgado
qualquer indício de que estaria gravemente doente até a notícia de sua
morte. Com uma alta taxa de mortalidade, o câncer de fígado é mais letal
que outros tumores, pois geralmente o diagnóstico ocorre muito tarde.
Cena do clipe de "Blackstar", música do último CD de Bowie.
Foto: Reprodução/Youtube / Vivo Mais Saudável
Saiba mais sobre o câncer de fígado
Com mais de 600 mil novos casos diagnosticados no mundo a cada ano, a
doença é o sexto tipo de câncer mais frequente. Estima-se que ele cause
morte com mais frequência, em comparação a outros tumores, pois os
pacientes são normalmente diagnosticados muito tarde.
Segundo o Instituto Nacional do Câncer (INCA), cerca de 50% dos
pacientes com câncer de fígado apresentam cirrose hepática, que pode
estar associada ao alcoolismo ou à hepatite crônica. O desenvolvimento
da doença pode levar muito tempo, como 20 ou 30 anos após a ocorrência
da hepatite C crônica, por exemplo.
Outros fatores de risco também aumentam a probabilidade de
desenvolvimento tumoral, como o consumo excessivo de álcool e a
obesidade mórbida. Geralmente, os sintomas só surgem nos estágios
avançados da doença, e incluem perda de apetite e náusea, além de
pressão e dor na parte superior do abdômen.
O diagnóstico precoce do câncer de fígado é fundamental para a eficácia
do tratamento, pois nos estágios iniciais o tumor ainda pode ser
retirado cirurgicamente, procedimento mais indicado para o combate à
doença.
Em alguns casos, podem ser administradas também a radioterapia e a
quimioterapia, além da quimioembolização, tratamento que combina drogas e
partículas de gel insolúvel.
A carreira de David Bowie
A manhã do dia 11 de janeiro de 2015 começou mais triste para os fãs de
David Bowie, com a notícia da morte do cantor conhecido como o criador
do
glam rock
. Após enfrentar o câncer de fígado por um ano e meio, o também
compositor e ator recebeu milhares de homenagens de celebridades, amigos
e admiradores nas redes sociais.
Capa do álbum Aladdin Sane, lançado em 1973.
Foto: Divulgação / Vivo Mais Saudável
Considerado uma das figuras mais influentes do rock mundial, o cantor havia lançado seu mais novo álbum,
Blackstar
, na última sexta-feira (8), mesmo dia em que completou 69 anos de idade.
Com poucas aparições públicas nos últimos meses, ele se apresentou ao
vivo pela última vez durante um show beneficente em 2006, em Nova York.
David Bowie nasceu em Londres, em 8 de janeiro de 1947, recebendo o nome
David Robert Jones
.
Com o apelido de
Cameleão do Rock
, devido a sua capacidade de sempre inovar e se adaptar ao cenário
atual, tanto na música quanto na aparência, o astro lançou seu primeiro
single em 1964, gravando o álbum de estreia em 1967.
Bowie alcançou a fama com o álbum
The Rise and Fall of Ziggy Stardust and the Spiders From Mars
, de 1972. Depois disso, alavancou uma carreira com
25 álbuns
de estúdio e nove álbuns ao vivo, além de diversos EPs e mais de 100 singles.
Pesquisador do Laboratório de Virologia da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), em Pernambuco,
Rafael França estima que serão necessários pelo menos dois anos para
que perspectivas de tratamento de infecções pelo zika comecem a ser
delineadas. "Há ainda muitas questões a serem respondidas. A primeira
tarefa é identificar o genoma do vírus", afirmou. Diante do
aumento de casos de infecções e da rápida dispersão do zika, uma rede de
pesquisadores redobrou os esforços para tentar definir o mais
rapidamente possível a sequência genética do que, até seis meses atrás,
era considerado o "primo fraco da dengue". A rede de vigilância genética
busca, por exemplo, analisar se houve uma mutação do vírus, descrito
pela primeira vez em 1947, mas que somente nos últimos anos começou a
despertar a atenção de autoridades sanitárias. A experiência
brasileira demonstra que a infecção pelo zika em gestantes tem
correlação com a microcefalia. Os casos no país também ajudam a
comprovar a suspeita de que o vírus pode atingir o sistema neurológico,
aumentando o risco de doenças autoimunes como a síndrome de
Guillain-Barré. França afirma que a mutação pode não ser a
resposta para o impacto que a infecção pelo zika vem provocando na
população brasileira. "Há outros fatores que devem ser observados. Uma
das suspeitas que precisam ser investigadas é se o vírus teria um
impacto diferente entre pessoas que já têm anticorpos para dengue, um
agente da mesma família que o da zika", afirmou.
Organismo
Além da vigilância genética, pesquisadores têm como tarefa desvendar a
forma de atuação do vírus no organismo. "Sabemos pouco sobre isso",
reconheceu França. As dúvidas não são apenas entre pesquisadores
brasileiros. Há uma grande lacuna de conhecimento sobre zika em todo o
mundo. "Por se tratar de um vírus novo e que até agora era tido como de
pouco potencial de dispersão e de agressão no organismo, ele despertava
pouca atenção." França avalia que uma das estratégias mais
promissoras para deter o avanço da doença consiste em desenvolver
terapias que tenham como princípio anticorpos contra o vírus. Para isso,
é preciso conhecer a estrutura do zika e desvendar os mecanismos que
ele usa para invadir as células do corpo humano. "Uma vez descoberto o
caminho usado por ele para ingressar na célula, a ideia é tentar colocar
um obstáculo, algo que o impeça a invasão", afirmou. (As informações
são do jornal O Estado de S. Paulo)
O volume total de água armazenada no subsolo do planeta é
estimado em 23 milhões de km³. Seria o suficiente para cobrir toda a
superfície da Terra com uma camada de 180 metros de profundidade.
Essa foi a conclusão de um estudo conduzido por pesquisadores canadenses e publicado na revista científica Nature Geoscience.
Mas apenas 6% dessa água é própria para consumo humano. Isso porque a
chamada água "moderna" presente no subsolo está próxima da superfície e
pode ser extraída ou usada para complementar recursos localizados acima
do solo, em rios e lagos.
"Esta é a água que é renovada mais
rapidamente na escala de vida humana", explicou Tom Gleeson, da
Universidade de Victoria, no Canadá, responsável pelo estudo.
"Ao mesmo tempo, é a mais sensível a mudanças climáticas e contaminação
humana. Trata-se, portanto, de um recurso vital que precisa ser mais bem
gerenciado."
Recurso finito
Para quantificar a água
armazenada nos dois primeiros quilômetros da superfície da Terra,
Gleeson e sua equipe combinaram extensas bases de dados e modelos
computacionais. Foram analisados, entre outros fatores, a
permeabilidade de rochas e do solo, sua porosidade e características dos
lençóis freáticos. A chave para determinar a idade de toda a
água armazenada foram medições feitas com trítio, uma forma radioativa
de hidrogênio que surgiu na atmosfera há 50 anos como resultado de
testes de bombas termonucleares. A partir desse elemento químico, os cientistas puderam identificar toda a chuva que chegou ao subsolo desde então.
Reservas
O mapa acima mostra a distribuição da água moderna presente no subsolo
ao redor do mundo. As manchas em azul escuro mostram onde ela é renovada
rapidamente. Em tom mais claro, a água mais antiga, que em sua maioria
está estagnada e não pode ser renovada. "As características
dessa água antiga variam muito", disse Gleeson à BBC News. "Em alguns
lugares, é muito profunda. Em outros, não. Em muitos lugares, ela é de
má qualidade e pode ser mais salina que a água do mar, além de ter
metais e outros componentes químicos dissolvidos nela e que teriam de
ser tratada antes de se tornar potável ou usada na agricultura."
Isso torna ainda mais importante as reservas modernas e a necessidade
de administrá-las de forma sustentável, alertam os cientistas. O
estudo destaca ainda como elas estão distribuídas de forma desigual no
planeta. O próximo passo, afirmou Gleeson, é determinar o ritmo com que
algumas reservas estão sendo consumidas. "Essa visão global da
água no subsolo irá conscientizar de que nossas reservas mais recentes
no subsolo, aquelas que são mais sensíveis a mudanças ambientais e
provocadas pelo homem, são finitas", disse Ying Fan, da Rutgers
University, nos Estados Unidos.
Fósseis de três espécies de anfíbios e uma de réptil do
período Permiano, final da era Paleozoica, foram descobertas por
cientistas nos Estados do Piauí e do Maranhão,
numa área da Bacia do Rio Parnaíba. O material fossilizado tem cerca de
278 milhões, correspondentes ao período Permiano. Os animais viviam em
lagos tropicais no Nordeste brasileiro. Esta é a primeira fauna
desta idade encontrada no hemisfério Sul e que também tem registros na
América do Norte e na Europa. O estudo intitulado "Nova fauna Permiana
do Gondwana tropical" foi publicado na revista Nature Communications, no último dia 5, e faz parte de uma pesquisa nos Estados do Piauí, Maranhão e Tocantins.
As duas primeiras espécies fossilizadas encontradas foram de dois
anfíbios carnívoros arcaicos nas cidades de Timon (MA) e Nazária (PI).
Os animais receberam os nomes de Timonya anneae e Procuhy nazariensis em homenagem aos municípios que foram encontrados.
O paleontólogo Juan Carlos Cisneiros, professor doutor da Universidade
Federal do Piauí (UFPI), que fez parte da equipe de pesquisadores,
explica que as duas espécies eram parentes distantes dos anfíbios
modernos, mas não eram verdadeiras salamandras nem sapos. Elas
pertenciam a um grupo extinto que era comum no Permiano. O Timonya anneae era
um pequeno anfíbio inteiramente aquático que possuía presas e guelras
(aparelho respiratório dos animais que vivem na água e não possuem
pulmões). O aspecto dele lembra a mistura entre uma salamandra aquática e
uma enguia. Já o Procuhy nazariensis também vivia submerso na
água em lagos tropicais. O animal recebeu o nome de "Procuhy", que
significa sapo de fogo na língua timbira, nativa do Maranhão, Piauí e
Tocantins, porque foi encontrado fossilizado em uma rocha usada para
produzir fogo na formação geológica Pedra de Fogo. "A terceira
espécie é um anfíbio do tamanho de um pequeno jacaré, cujos parentes
mais próximos viveram vinte milhões de anos depois no Paraná e na África
do Sul, e uma espécie de réptil com aspecto de lagartixa que até agora
só tinha sido encontrada na América do Norte", explica o professor.
Fauna da Pangeia
Cisneiros destaca que a descoberta dos fósseis deve ajudar a revelar
como os animais se dispersaram nas regiões da Pangeia, antigo
supercontinente que teria sido subdividido em por um longo braço de mar
originando as duas massas continentais Gondwana e Laurásia. Os
pesquisadores explicam que o registro das espécies encontradas no
Nordeste do Brasil preenche o panorama de como era a bacia do Rio
Parnaíba há mais de 200 milhões de anos, traça como estes animais se
dispersaram e como colonizaram novas regiões da Pangeia. A bacia do Rio
Parnaíba é conhecida pelos paleontólogos como uma região rica em
material fossilizado. É lá onde está o Parque Floresta Fóssil de
Teresina, único sítio paleontológico dentro de uma cidade brasileira que
possui troncos petrificados com datas de 270 milhões de anos.
"O primeiro réptil encontrado aqui na região dessa idade é uma espécie
que já era conhecida na América do Norte, nos Estados do Texas e de
Oklahoma nos Estados Unidos. Isso mostra que a fauna do Piauí tinha
conexão com a fauna daquela região. Hoje em dia parece estranho, mas
temos que lembrar que naquela época os continentes estavam unidos,
formando o que a gente conhecia como a Pangeia. A América do Norte
estava coladinha com a América do Sul e realmente não é tão difícil que
os animais pudessem habitar uma área compartilhada entre os Estados
Unidos e o Brasil. Agora, a gente pode comprovar que isso de fato
aconteceu porque temos uma espécie de réptil em comum entre os Estados
Unidos e o Brasil da era Paleozoica", explicou Cisneiros. Os
fósseis encontrados passaram por tratamento de conservação e limpeza nos
Estados Unidos e outros foram tomografados na Europa. "A parceria com
outras instituições e outros países foi importante, e acho que foi o
fator chave para ter bons resultados, porque cada um tem conhecimentos
diferente e complementa a equipe de pesquisa, isso também nos permitiu
ter acesso a técnicas, a metodologia e a recursos de outras
instituições." A descoberta faz parte do projeto "Prospecção
paleontológica na Bacia do Parnaíba: Revelando um novo ecossistema
permiano nos trópicos do Gonduana", que estuda as formações Pedra de
Fogo e Motuca, conhecidas pelo abundante registro paleobotânico, nos
Estados do Piauí, Maranhão e Tocantins.