quinta-feira, 1 de agosto de 2013

Mudanças climáticas põem em risco as pessoas, não a Terra.diz estudos.

Mudanças climáticas põem em risco as pessoas, não a Terra, diz alemão

O rápido aumento da temperatura da Terra, observado no período atual, representa uma ameaça mais para a humanidade em si do que para o planeta, que já passou e sobreviveu a diferentes períodos de mudanças climáticas.
A avaliação foi feita pelo climatologista Ulrich Glasmacher, professor da Universidade de Heidelberg, da Alemanha, na conferência que fez sobre aspectos geológicos e sociais das mudanças climáticas mundiais na 65ª Reunião da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência, em Recife (PE).

Segundo o pesquisador alemão, o planeta experimenta períodos de frio seguidos de ondas de calor há cerca de 450 milhões de anos. "O Cretáceo [há mais de 100 milhões de anos], por exemplo, foi um dos períodos mais quentes da Terra nos últimos 600 milhões de anos", disse Glasmacher.
Os níveis de emissão de CO2 na atmosfera naquela época também eram muito altos, como pode ser observado em estudos com fósseis de formigas - pois é um inseto que respira o ar e, em seguida, expira o oxigênio, retendo um nível muito alto de CO em seu organismo -, explicou o pesquisador.
Há poucos dados, no entanto, sobre a atividade do Sol naquele período, que influencia a temperatura da Terra e poderia fornecer pistas de como será o clima do planeta no futuro, disse Glasmacher.  "O que podemos dizer é que, toda vez que houve um período muito frio na Terra, ele foi sucedido por um período muito quente."
As mudanças climáticas pelas quais a Terra passou, contudo, não colocaram em risco a sua existência e não causaram o desaparecimento em massa de espécies, ressaltou Glasmacher.
Segundo ele, nenhuma das extinções em massa ocorridas no planeta foi causada por mudanças climáticas, mas sim por vulcões, mudanças nas placas tectônicas, meteoritos ou cometas. E, em todos os casos, o planeta sobreviveu.
"Qualquer cenário previsto como fatal para o planeta é mentiroso e tem o objetivo de causar medo. Por mais devastador que as mudanças climáticas possam ser, a vida e o planeta vão sobreviver sem nós, humanos", disse.
"O planeta fez isso no passado, quando os dinossauros foram extintos, e a vida na Terra continuou nos milhões de anos seguintes. A questão, agora, é se a humanidade conseguirá sobreviver às mudanças climáticas globais", ponderou.

Risco de extinção
Na avaliação de Carlos Nobre, secretário de Políticas e Programas de Pesquisa e Desenvolvimento do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, o risco de as mudanças climáticas causarem o desaparecimento do homem no planeta é, de fato, muito pequeno, uma vez que os humanos desenvolveram capacidades cognitivas que os tornaram uma das espécies mais adaptadas e adaptáveis da Terra.
Além disso, é muito improvável que a concentração de oxigênio no planeta seja modificada nos próximos milhões de anos por efeito das mudanças climáticas, a ponto de ameaçar a vida no planeta.
O problema é que as plantas só conseguem realizar fotossíntese sob uma temperatura de até 48 graus Celsius. Se a temperatura média continental atingisse essa faixa, haveria o risco de extinção em massa de espécies por causa da quebra da cadeia alimentar, ressalvou Nobre, que foi o apresentador da conferência de Glasmacher.
"Não que a temperatura média da Terra vá chegar a mais de 40 graus. Mas, se isso acontecesse, haveria o risco de interromper a fotossíntese das plantas e, com isso, o planeta seria muito diferente de hoje, com menos vida e mais desértico - ainda que plantas do deserto façam fotossíntese em um intervalo muito curto de tempo", disse o pesquisador.
Segundo Nobre, a maior preocupação sobre os possíveis impactos do aquecimento global observado no período antropocênico atual, contudo, não está relacionada ao valor final da temperatura suportada pelas espécies (48ºC), mas à velocidade com que a mudança está ocorrendo, o que poderá dificultar a adaptação de diversas espécies.
"Ter uma variação de cinco graus [Celsius] na temperatura em 200 anos, como acontece agora no Antropoceno, é algo raro e não ocorria há muito tempo. Muitas espécies não têm condições de se adaptar a uma mudança climática tão rápida", afirmou.
"Se a temperatura levasse um milhão de anos para subir cinco graus, a extinção de espécies seria pequena. Já se isso acontecer em um período entre 50 e 100 anos a extinção será muito grande. E, se ocorrer em um prazo de 30 anos, 40% das espécies seriam extintas - o que, talvez, não possa ser considerada uma extinção em massa, mas é uma perturbação de uma dimensão que só meteoritos e vulcanismos causaram no passado", comparou.

quarta-feira, 17 de julho de 2013

"Quem come menos vive mais", mostra estudo de universidade chinesa

Os cientistas constataram que comer menos favorece a expansão de uma flora bacteriana saudável Uma equipe de cientistas chineses da prestigiada Universidade de Jiaotong, situada em Xangai, assegura ter descoberto que a restrição de calorias ingeridas pode ajudar a prolongar o tempo de vida em muitos animais e, inclusive, em humanos, informou  o jornal oficial "Shanghai Daily".

Com base em testes realizados em ratos, os cientistas constataram que comer menos favorece a expansão de uma flora bacteriana saudável no aparelho digestivo, o que reduz o número do tipo de bactérias cuja atividade acaba sendo prejudicial ao organismo.

O estudo da Universidade de Jiaotong confirma os efeitos positivos das dietas em humanos, indicou Zhao Liping, pesquisadora-chefe da Escola de Biotecnologia e Ciências da Vida da universidade chinesa.

De acordo com Zhao, após o experimento, cujos resultados foram publicados no portal da revista "Nature", sua equipe conseguiu demonstrar que estes níveis de bactérias são fundamentais para determinar a saúde e o tempo de vida dos humanos.

"A restrição de calorias demonstra que, com um único regime experimental, pode estender de maneira eficaz o tempo de vida em vários modelos animais, mas o mecanismo que o torna possível ainda continua sendo controverso", explicou a revista científica internacional em seu artigo sobre a pesquisa.

"É conhecido que os micro-organismos intestinais têm um papel crucial na saúde de seus hóspedes, sobretudo através de dietas", continua.

"Aqui mostramos como uma restrição de calorias ao longo de toda a vida, em dietas tanto de altas como de baixas calorias, e não o exercício voluntário, muda significativamente a estrutura geral da colônia de microorganismos intestinais do rato C57BL/6 J", detalhou o grupo liderado por Zhao.

"O resultado deste tipo de dietas sugere que os animais sob uma restrição calórica podem estabelecer uma arquitetura de micróbios intestinais estruturalmente equilibrada, a qual pode gerar um benefício de saúde para o hóspede pela redução da carga de antígenos do sistema digestivo", completam os cientistas.

Desta forma, os pesquisadores chineses descobriram alguns tipos de bactéria, como os lactobacilos, contribuem para prolongar o tempo de vida e se beneficiam da restrição de calorias.

Ao mesmo tempo, eles viram que a dieta reduz o número de bactérias que contribuem para reduzir o tempo de vida e comprovaram que os níveis de um tipo de toxina, a proteína do lipopolisacárido (LPS), um indicador associado habitualmente com as inflamações, também foram reduzidos no soro sanguíneo.

sábado, 6 de julho de 2013

Garoto de 16 anos cursa ensino médio e mestrado em matemática.


Daniel Santana Rocha tem 16 anos e cursa mestrado em matemática pura no Impa (Foto: Vanessa Fajardo/ G1) 
Daniel Santana Rocha tem 16 anos e cursa mestrado em matemática pura no Impa (Foto: Vanessa Fajardo/ G1)
Quando tinha 11 anos, Daniel Santana Rocha foi acompanhar o pai em um curso de matemática para professores e surpreendeu a sala de aula ao resolver um exercício que parecia indecifrável por todos. Foi para lousa e mostrou a resolução para orgulho do pai, que também não tinha conseguido chegar na resposta do problema. Hoje aos 16, a presença de Daniel no curso de mestrado em matemática pura no Instituto Nacional de Matemática Pura Aplicada (Impa), instituição que reúne a excelência em matemática do país no Rio de Janeiro, não causa mais espanto.

De manhã, Daniel vai para o mestrado. À noite segue para a escola estadual Engenheiro Bernardo Sayão, em Jacarepaguá, onde cursa o segundo ano do ensino médio. Como ainda não é graduado, não vai conseguir pegar o diploma da pós quando o curso terminar no fim deste ano. Situação que pretende resolver assim que concluir a educação básica, quando pretende conciliar a graduação e o doutorado. Também já tem planos para o pós-doutorado: “penso em fazer na França. Quero trabalhar como pesquisador.”
O gosto pela matemática Daniel pegou do pai, o professor Fernando Batista da Rocha, de 51 anos. Inclusive é ele quem dá aulas para Daniel no ensino médio. Fernando garante que o garoto não tem uma rotina sobrecarregada. “Estudar não é carregar peso, o mestrado é prazer para ele. Ele ama estudar, nunca gostou de futebol, por exemplo. O meio dele é o acadêmico, e vida se tornou mais prazerosa e mais feliz depois do Impa. Ele tem facilidade em pesquisa, por isso o estudo é natural.”

Celeiro de talentos matemáticos
Depois do episódio em que resolveu o exercício durante o curso no Impa, Daniel foi convidado a frequentar algumas aulas como se fossem cursos livres e participar de olimpíadas de matemática. Estudou análise de retas, álgebra e equações informalmente, e em março deste ano se tornou aluno oficial do mestrado. Como já havia cursado algumas disciplinas, conseguiu reduzir a grade e termina o curso ainda neste ano, aos 16 anos.


Segundo o pai de Daniel, os docentes do Impa não veem mais o filho como criança. “Eles já esqueceram isso, já se habituaram.” Daniel não foi o único aluno a entrar no Impa sem ao menos ter completado do ensino médio. Quem puxou a fila foi o professor Carlos Gustavo Tamm de Araujo Moreira, o Gugu, que fez doutorado e leciona na instituição, mas ingressou em março de 1988 quando tinha 15 anos. Aos 17 já tinha concluído a graduação e o mestrado.
Fundado em 1952, o Impa reúne 260 alunos de mestrado, doutorado e iniciação científica. Quatro pesquisadores do instituto foram convidados para palestrar no próximo Congresso Internacional de Matemática, na Coreia do Sul em 2014, o mais importante da área. Também pode ser de lá o primeiro brasileiro a receber a Medalha Fields, espécie de Nobel da matemática restrito a talentos com menos de 40 anos. Dois pesquisadores do Impa figuram como possíveis candidatos, Fernando Codá Marques e Artur Ávila, de 33 anos. 
“Demoraram para me aceitar porque tinham medo de o mestrado atrapalhar minhas aulas [no ensino médio], mas eu não preciso estudar exatas e não custa muito tempo estudar no ensino regular, não é difícil”, diz Daniel, em entrevista ao G1, durante treinamento que ele participou em São Paulo. O adolescente conta que convive bem com os amigos mais velhos e não tem dificuldade de acompanhar as matérias.

 Matemática divertida'
Daniel também disputa olimpíadas desde o ensino fundamental. Por muito pouco não passou na seletiva para compor a equipe que vai disputar a internacional na Colômbia. No histórico acumula pelo menos 20 medalhas em competições nacional e internacionais.

Para dar conta de tudo, estuda até dez horas por dia, tem as melhores notas em matemática, física e química na escola, mas mantém o bom desempenho em ciências humanas. No Impa, nunca tirou menos do que ‘B’, porém a cobrança é sempre pelo ‘A’, segundo ele. Diz que considera a matemática “muito divertida”, que “quanto mais difícil mais legal”, e por isso não se cansa. Estuda aos fins de semana, mas às vezes para se distrair gosta de caminhar e ir até o shopping.
“Meu pai sempre me ensinou mais matemática do que o colégio. Aos 12, já sabia toda a matéria do ensino médio, mas não sou gênio, todo mundo pode aprender. Acontece que o jeito que ensinam no ensino médio você não aprende o que é de verdade”, afirma.
Fernando conta que o filho estuda mais do que ele, que ainda não conseguiu fazer um mestrado. “Quando tenho dúvidas em matemática, ligo para ele. Outros professores também fazem isso. Ele é bom para ensinar. Eu também dou aulas particulares, nunca levo o Daniel junto porque se eu faço isso, perco o aluno.”

quinta-feira, 4 de julho de 2013

Cientistas criam minifígados de células-tronco.


Cientistas anunciaram a criação de pequenos fígados a partir de células-tronco em um laboratório da Universidade de Yokohama, no Japão.

A equipe se disse "espantada" ao perceber a formação espontânea de brotos hepáticos, os estágios mais iniciais de desenvolvimento do órgão.

A esperança é de que o transplante de milhares de brotos hepáticos possa reverter situações de falência do fígado.

Após a publicação dos resultados do estudo na revista Nature, muitos especialistas reagiram classificando o estudo como "empolgante".

A pesquisa deve dar novo fôlego às muitas equipes de cientistas que tentam, ao redor do mundo, criar órgãos em laboratório como tentativa de lidar com a falta de doadores para transplantes.

Alguns pacientes já têm bexigas feitas com suas próprias células, mas órgãos mais densos como o fígado e os rins são mais difíceis de serem produzidos.

Produção própria

A equipe da universidade japonesa simulou em laboratório os estágios mais iniciais do desenvolvimento do fígado, similares aos de um embrião.

Eles mesclaram três tipos de células - duas variedades de células-tronco e material colhido a partir de um cordão umbilical.

Para a surpresa dos cientistas, as células começaram a se organizar e se entrelaçaram para formar um broto hepático.

Estes brotos foram transplantados para camundongos, onde se conectaram ao sistema circulatório e passaram a funcionar como pequenos fígados.

O processo, de acordo com os cientistas, aumentou o tempo de vida dos camundongos com falência hepática.

"Nós simplesmente mesclamos três tipos de células e descobrimos que, de forma inesperada, elas se auto-organizaram para formar um broto hepático tridimensional - um tipo de fígado rudimentar", explica o professor Takanori Takebe, um dos responsáveis pelo estudo.

"E finalmente nós provamos que o transplante de brotos hepáticos pode oferecer potencial terapêutico contra a falência do fígado", diz Takebe, acrescentando que ele e a equipe ficaram "completamente espantados" e "absolutamente surpresos" quando perceberam a formação dos brotos hepáticos.

Tratamento

Acredita-se que outros órgãos, como o pâncreas, rins, e até mesmo os pulmões possam ser desenvolvidos da mesma forma.

No entanto, a utilização da técnica em um novo tratamento, de fato, ainda é um prospecto distante, avaliam os cientistas.

Os brotos hepáticos criados no estudo têm cerca de 4 a 5 milímetros de comprimento, mas os cientistas dizem que teriam que desenvolver outros muito menores para que eles pudessem ser injetados no sangue.

E adiantam que as células provavelmente não formariam um novo fígado, mas se acoplariam ao órgão em falência para tentar recuperá-lo.

Varuna Aluvihare, médica especialista em transplantes do King's College Hospital, de Londres, vê com bons olhos o estudo.

"Este é um grande trabalho e, como prova de um conceito, muito interessante. O grande destaque é que esta simples mistura de células pode se diferenciar e se organizar em estruturas de tecidos complexos que funcionam bem em modelos animais", diz.

quinta-feira, 27 de junho de 2013

Combinação de remédios é melhor do que aspirina sozinha para evitar AVC.

Se confirmadas, conclusões de estudo feito na China podem mudar o tratamento padrão para evitar um derrame em pessoas que já sofreram um

Aspirina: nova fórmula reduz o tempo de absorção do medicamento pelo organismo
Aspirina: combinar a droga com outro medicamento que evita coágulo no sangue é melhor para reduzir o risco de AVC, diz pesquisa.

 É comum que pessoas que já sofreram algum acidente vascular cerebral (AVC) sejam tratadas com aspirina para evitar coágulos no sangue e, assim, diminuir o risco de um segundo derrame. Um teste clínico realizado na China, porém, demonstrou que combinar a droga com outro medicamento usado para evitar coágulos é melhor do que a aspirina sozinha para reduzir o risco de AVC.

Segundo a pesquisa, publicada nesta quarta-feira na revista The New England Journal of Medicine, a terapia combinada reduziu em um terço o risco de derrame em pacientes que já haviam sofrido um em comparação com o tratamento baseado na aspirina.
As conclusões fazem parte da terceira fase do teste clínico chinês em torno da terapia combinada para a prevenção do AVC. A pesquisa foi denominada de CHANCE (sigla que significa Clopidogrel em Pacientes com Alto Risco de Eventos Vasculares Cerebrais Agudos Não Incapacitantes). Um teste similar a esse está sendo realizado nos Estados Unidos. Caso os resultados sejam confirmados, os especialistas acreditam que a combinação do medicamento clopidogrel (Plavix) com a aspirina pode mudar o padrão de cuidado a pacientes com um alto risco de sofrer um segundo derrame.
O trabalho chinês foi feito com 5.170 pacientes que sofreram um AVC. Até 24 horas depois de o evento cardiovascular ter ocorrido, essas pessoas passaram a ser tratadas com aspirina ou então com a combinação de aspirina e clopidogrel. De acordo com os resultados, 11,7% daquelas que fizeram uso somente de aspirina sofreram um AVC nos três meses seguintes ao início do tratamento. Essa prevalência foi de 8,2% entre o grupo submetido à terapia combinada.
"Os resultados foram surpreendentes", diz Claiborne Johnston, professor de Neurologia da Universidade da Califórnia, em São Francisco, e um dos autores do estudo. Johnston também coordena a pesquisa que está sendo feita nos Estados Unidos sobre o assunto. “Devemos ter a confirmação ou não dessas conclusões dentro de alguns anos”, afirma.

quarta-feira, 19 de junho de 2013

Adesivos podem substituir agulhas em vacina do futuro, dizem cientistas

Novo método abre caminho para vacinas de uso fácil para doenças como a malária


  • Novo método abre caminho para vacinas de uso fácil para doenças como a malária
Um adesivo que é colocado na pele para aplicar vacinas de forma barata e eficaz foi apresentado durante a conferência TEDGlobal em Edimburgo, na Escócia.

Substituir a agulha por um nanoadesivo pode transformar a prevenção de doenças mundo afora, disse o inventor da tecnologia, o pesquisador Mark Kendall, da University of Queensland, em Brisbane, Austrália.

Segundo ele, o novo método abre caminho para vacinas de uso fácil para doenças como a malária, por exemplo.

Outros especialistas deram boas vindas à novidade, mas disseram que o método pode não ser apropriado para todos os pacientes.

A série de conferências TEDGlobal (a sigla inglesa TED quer dizer "Think, Exchange, Debate" ou "Pense, Troque, Debata") é realizada anualmente em diferentes partes do mundo. Ela é financiada pela fundação privada sem fins lucrativos Sapling Foundation, que promove a circulação de grandes ideias pelo mundo.

Método antigo

A palestra de Kendall em Edimburgo teve uma simbologia histórica: há 160 anos, na capital escocesa, Alexander Wood pediu a primeira patente para a agulha e a seringa.

"A patente era quase idêntica às agulhas que usamos hoje. É uma tecnologia de 160 anos", disse Kendall.

Aliada à água limpa e saneamento, ela cumpriu um papel fundamental no aumento da longevidade em todo o mundo, acrescentou. Mas para Kendall, talvez tenha chegado a hora de atualizarmos essa tecnologia.

O nanoadesivo é baseado na nanotecnologia - que permite manipular a matéria em escala atômica e molecular, ou seja, em dimensões infinitamente pequenas.

Ele supera algumas das desvantagens mais óbvias de vacinas convencionais, como o medo da agulha e a possibilidade de contaminação provocada pelo uso de agulhas sujas.

Mas há outras razões pelas quais o método pode ser transformador, disse o professor.

Milhares de minúsculas saliências no adesivo perfuram a pele e liberam a vacina, que é aplicada, seca, sobre a pele.

"As saliências no adesivo trabalham com o sistema imunológico da pele. Nosso alvo são essas células, situadas a um fio de cabelo de distância da superfície da pele", disse Kendall.

"Talvez estejamos errando na mira e deixando de atingir o ponto imunológico exato, que pode estar na pele e não no músculo, que é onde as agulhas tradicionais vão".

Em testes feitos no laboratório de Kendall na University of Queensland, o adesivo foi usado para administrar a vacina contra gripe.

A equipe australiana disse ter notado que as respostas para vacinas aplicadas por meio do nanoadesivo foram completamente diferentes daquelas aplicadas com o uso da seringa tradicional.

"Isso significa que nós podemos trazer uma ferramente completamente diferente para a vacinação", disse o pesquisador.

A quantidade de vacina necessária, por exemplo, é muito menor - até um centésimo da dose normal.

O preço de "uma vacina que custa US$ 10 pode ser reduzido para US$ 0,10, o que é muito importante no mundo em desenvolvimento", acrescentou.

Vacinas sem efeito

Outro ponto fraco das vacinas tradicionais é que, por serem líquidas, precisam ser mantidas no refrigerador, desde o laboratório até a clínica onde é feita a vacinação.

"Metade das vacinas aplicadas na África não estão funcionando direito por causa de falhas na refrigeração em algum momento".

Quando Kendall disse, durante a conferência, que a vacina nanoadesiva poderia ser mantida a 23ºC durante um ano, a plateia respondeu com aplausos calorosos.

Um representante da Brithish Society for Immunology, a sociedade britânica de imunologia, deu boas vindas à tecnologia, mas fez algumas ressalvas.

"Essa abordagem traz esperanças de vacinação fácil e em grande escala, já que ela tem como alvo um tipo de célula imunológica chamada célula Langerhans, que existe em abundância na pele", disse Diane Williamson".

"Essas células absorvem avidamente a vacina e são capazes de desencadear a resposta imunológica".

"Porém, um dos problemas em potencial na aplicação (da vacina) sobre a pele é o tempo de aplicação e como garantir a administração da quantidade adequada de vacina".

"Além disso, talvez haja problemas de tolerância do adesivo em alguns pacientes. Mas se esses problemas puderem ser superados, o nanoadesivo tem o potencial de substituir a aplicação convencional, baseada em aplicação intramuscular por agulha".

O nanoadesivo começará a ser testado em breve na Papua Nova Guiné, onde suprimentos de vacina são escassos.

Kendall disse que acha difícil imaginar um mundo sem agulhas e seringas tradicionais, mas espera que o novo método possa ser utilizado em grande escala.